quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
8- Inesperado
esperava que o prazo de viagem se prolongasse até segunda para perder mais um dia de aula e evitar o constrangimento das pessoas me perguntando sobre Andréas. Fui até o quarto arrumar algumas coisas que desarrumara antes de dormir, e após isto, estaria pronta para o tão esperado passeio.
Era 12h36 quando meu pai decidiu sair. Lembro-me do horário pois estava tão ansiosa que olhava para o relógio a cada 5 minutos. Iríamos almoçar em algum lugar e pegaríamos a estrada! - termo que eu adorava usar com meu pai; quando pronunciava, ele sempre dava ênfase à frase.
Após o rápido almoço, estavamos pronto para ir. Papai decidiu sair da cidade pela antiga avenida, afinal, não queríamos trânsito algum atrapalhando nossa diversão e as típicas cantorias. Ao chegarmos na tal avenida - que por sinal eu ainda não conhecia, apesar de morar desde meu nascimento na cidade - não demos tanta sorte. Parece que muitas pessoas resolveram ir lá naquela tarde. Mas pra quê? As pessoas estavam a pé, e circulavam como se a rua não estivesse lá. Papai buzinou várias vezes, mais eram todos jovens, e não saiam da rua de jeito nenhum. A minha impressão era de quê esperavam algo... Mas eu não tinha idéia do que era. Num instante, e do nada, me lembro do arrepio que sentira na noite anterior. Mas esperava que fosse um arrepio sem fundamentos.
O carro estava parado no meio da rua, esperando a boa vontade daqueles jovens eufóricos para podermos passar. Agora eu estava ouvindo um zumbido, um barulho estranho, talvez de um carro. Aumentava cada vez mais, mas ainda estava longe. Meu pai ainda distraindo com a bagunça dos adolescentes não estava ouvindo. Eu ainda estava confusa, daonde está vindo esse barulho? Estava chegando perto, muito perto. Foi quando ouvi um ronco mais forte que me fez olhar para trás. Havia dois carros vindo, e um exatamente em nossa direção. Minhas palavras não saiam, meu pai estava tão irritado que não conseguia pensar em nada. E por incrível que pareça, naquele momento a única coisa que notei foi o rádio ligado. E pela coincidência, uma incrível e inesperada coincidência, minha música estava tocando. Vi o carro em nossa direção, e depois a música parou, tudo era silêncio. E eu? Bom, eu já não via mais nada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
7- Pensamentos
Pensamentos vieram a tona e um arrepio de repente subiu pela minha espinha. Um pressentimento? Pressentimento do que? De repente lembrei da preocupação óbvia de Sofia na ligação que fora feita pela manhã "Alô Mônica? Você está bem?". Óbvia porque, em modéstia parte, eu nunca tive motivo suficiente pra faltar em qualquer prova, nunca gostei de fazê-la após a data marcada. Depois da breve passagem da preocupação de Sofia, me lembrei do que havia me dito depois. Andréas. Porque eu nunca havia parado para pensar nele antes? Aposto que ele tem bem mais que um rostinho bonito. Aposto ainda que eu ainda ia descobrir o que era. Sempre fui muito boa nisso: descobrir o que ninguém sabe. Já descobri coisas sobre meus familiares, amigas de escola, que ninguém mais sabia. As vezes por coincidência, assumo. Mas na maioria das vezes, acho que foi pelo meu faro investigativo - que na nossa língua se chama curiosidade.
Fiquei ali, horas e horas deitada, e pela primeira vez, adormeci pensando em Andréas.
Pensando em como ele poderia fazer diferença em minha vida, já que parecia, que de alguma forma, eu já fazia diferença na dele. Não sei como, e nem quando surgiu isso. Ou eu estava somente delirando? Eu fazia diferença pra ele? Fazia né? Se não, ele não teria falado aquilo na festa. Não teria dado um soco em Nando e levado suspensão por uma simples palavra provocativa.. Pensando em tudo isso, percebi que eu estava começando a me importar demais com Andréas e que, fazendo isso, ele já estava entrando em minha vida de alguma forma. Mas eu quero isso? Eu quero que alguém entre em minha vida? Eu realmente não tinha certeza da resposta. Acho que foi bem no momento que tentava achar a resposta que eu adormeci.
domingo, 29 de novembro de 2009
6- Acontecimento da semana
Com o coração batendo mais rápido, nem esperei ele apertar a campainha. Saí correndo na mesma direção que ele se encontrava e dei-lhe um super abraço. Meu pai sempre foi uma figura forte pra mim: cabelo escuro e olhos castanhos, e era alto, de um jeito que podia me envolver inteira em um pequeno abraço. "Espero que não esteja magoada comigo por ter demorado tanto, mas você sabe, eu estava trabalhando demais.. eu sinto muito mesmo!" disse ele ao meu ouvido. E respondendo, eu disse: "Eu não me importo com isso, o que realmente importa é que agora você está aqui! Venha, entre!"
Após a entrada em casa, o olhar de meu pai cruzou o de minha mãe. Não sei bem como definir aquele olhar, talvez nele tinha um pouco de saudade, mas também havia orgulho para não transparecê-la. O "oi" foi bem seco, o que não me deixou nada a vontade. Chamei-o para ver a decoração nova do meu quarto - que agora estava lilás - como um pretexto para desfazer aquele mal estar. Conversamos sobre tudo: escola, amigos, namorados - que não existiam -, trabalho, viagem... e foi nesse assunto que eu mais me interessei. Meu pai estava lá para me convidar para passar o fim de semana com ele, mas o destino nem ele sabia ao certo. Eu adorei a idéia, afinal, eu e meu pai tínhamos uma afinidade muito grande. Logo depois de aceitar o convite, ele disse que desceria para pedir a minha mãe mas que já era para eu ir arrumando as malas para passar uns 3 dias fora da cidade.
Enquanto separava algumas roupas para a viagem ouvi meu celular tocar. Era Sofia. "Alô Mônica? Você está bem?". A voz de Sofia era tão suave que me passava um certo conforto. "Porque você não foi à escola hoje? Você perdeu a prova de matemática!". Expliquei o porque com a felicidade transbordando por falar de meu pai. "Ahn, que bom que não aconteceu nada de grave.. Mas você também perdeu o acontecimento da semana! E acredite ou não, tudo o que aconteceu, o motivo foi você." Motivo? Acontecimento da semana? Tudo bem que eu não gosto - e nunca gostei - de ir para a escola, mas eu tinha que faltar bem naquele dia? Perguntei o que havia acontecido, mesmo com medo da resposta. "Nando provocou Andréas depois da prova, lá no pátio. Insinuou que você não tinha ido a aula hoje para evitá-lo ou ainda que tinha ficado com algum garoto na festa... e então, Andréas lhe deu um soco!" Eu até esperava essas atitude de Fernando, ou "Nando" como todos o chamam, pois ele sempre foi o encrenqueiro da turma, aliás, acho que é por isso que nunca falei dele aqui. Nossos gênios nunca foram muito parecidos. Mas a atitude de Andréas? O misterioso Andréas? Ele realmente estava me surpreendendo muito durante as últimas horas. Ela continuou: "Os dois levaram suspensão da escola por alguns dias, e todos estão surpresos com a atitude de Andréas. Estranho né?" Estranho? Aquilo já era mais que estranho. Era exagero para defender alguém que ele nem ao menos conhece direito. Fiquei meio paralisada, não sabia o que falar. Acho que minha mãe se encontrava no mesmo estado que eu lá em baixo, na sala, conversando com meu pai."Mônica? Você ainda está aí?", por um segundo havia esquecido Sofia do outro lado da linha. "Estou sim, muito surpresa também! Mas ele não devia estar muito bem, só pode ser isso. Enfim, irei viajar com meu pai esse final de semana, nossas compras poderão ficar para semana que vem?" Após ela concordar e me desejar uma boa viagem, desliguei o celular.
Andréas me surpreendia cada vez mais, mas agora, eu só queria me concentrar em meu pai e na nossa viagem.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
5- Mário Prado
Acordei assustada com o barulho do telefone. Olhei meu rádio-relógio que marcava 4:03 da manhã, eu havia chegado há apenas 3 horas. Fiquei imaginando o que tivera acontecido para alguém telefonar naquela hora inapropriada. Coisa boa não deveria ser, pois como dizem: Notícias ruins chegam rápido. Levantei, envolvida pelo lençol, e fui até o telefone na sala, onde minha mãe já havia chegado. Olhei para ela com expressão de alguém curioso, mas o olhar dela me ignorou e ela nada mais respondia ao telefone do que "Ok", "Estaremos esperando", e "Obrigada por avisar" com uma voz seca, ou diria assustada. Nessa hora eu tinha certeza do que era, só uma única pessoa deixava minha mãe daquele jeito: meu pai. Depois da separação que foi há 3 anos, que até hoje não sei bem o motivo - acho que nem eles mesmos sabem -, acho que minha mãe nunca o esqueceu de verdade. Como meu pai viajou a trabalho depois do ocorrido, minha mãe sempre encarou bem quando todos a perguntavam sobre o assunto. Mas com a presença dele aqui era diferente.
Ao colocar o telefone no gancho, perguntei quem era. Ela sacudiu a cabeça como se quisesse que os pensamentos saíssem e respondeu: “Mário Prado”. Não sei porque ela insistia em chamá-lo assim. Pode ser que seja para mostrar para mim que eles não têm mais intimidade, ou para ela mesma. E não, minha mãe não continuou com o sobrenome Prado após a separação. Por uma incrível coincidência eles possuem o mesmo sobrenome sem nenhum parentesco. Melhor para mim, pois não gostaria com um nome gigante cheio de sobrenomes. Ela continuou: “Disse que vem te ver hoje, pois tirou férias depois de 3 anos trabalhando direto. Ele chega às 10 da manhã, e pediu para esperarmos aqui mesmo, sem necessidade de ir ao aeroporto. Então, não precisará ir para escola hoje, volte a dormir”. Eu estava tão surpresa quanto minha mãe, meu pai nunca havia tirado férias depois que saiu de casa. Às vezes telefonava a cada semana, mandava e-mails, mas certamente nunca se esqueceu de mim. Espero que de minha mãe também não.
Ela não falou mais nada. Acho que essa visita surpresa de meu pai realmente mexera com ela. Ela não percebeu, mas enquanto eu subia lentamente as escadas de casa, eu a observava. Sentada no sofá, paralisada. Eu certamente gostaria de saber o que se passava nos pensamentos de minha mãe naquele momento e poder confortá-la de alguma forma, mas eu não sabia o que falar. Resolvi então que ficaria em silêncio mas, desci as escadas novamente, fui até ela e a abracei. Nenhuma palavra, mas acho que naquele momento nos duas conseguimos nos entender mais do que nunca. Uma lágrima caiu dos meus olhos sem perceber, resolvi que então, naquele momentos certas palavras cairiam bem. Então eu disse “Eu te amo mãe.” e simplesmente corri para cima, sem esperar resposta.
Voltei a dormir. Naquele sono, tive um sonho com uma festa. Não me lembro muito bem onde era ou quem estava, mas lembro que era um lugar lindo, e sim, eu estava toda arrumada. Ao fundo tocava minha mais nova música favorita. “She will be loved” tocava lentamente, aliás, parecia que tudo estava em câmera lenta. Eu estava com uma carta de amor na mão, como se esperasse quem a havia escrito, mas eu esperava em vão porque ninguém aparecera.
De repente ouço alguém me chamando: “Mônica? Mônica? Acorde querida, já são 9 horas da manhã e logo seu pai chegará. Você quer mesmo que ele te veja com rosto sonolento e hálito ruim depois de todo esse tempo?”
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
4- A resposta
Os dois foram os únicos que não demonstraram nenhuma reação ao fato da música ser animada ou não. Logo que Lucas se deu conta que a música animada havia acabado, interferiu na animação da festa com a idéia de um jogo que só saberíamos qual era se aceitássemos antes. Eu, Maísa e Sofia, fomos as primeiras a aceitar com empolgação e curiosidade. Todos que aceitassem deveríam ir ao escritório, então logo fomos, e nem vimos quem mais tinha aceitado o jogo secreto de Lucas. Depois de todos os curiosos no escritório, inclusive Renato e Andréas, não foi nada surpresa saber que o jogo de Lucas era o tradicional verdade ou desafio. Não seria nenhuma novidade os assuntos que sairiam nesse jogo: se a diversão já é tirar das pessoas de quem elas são "afim", com um pouco de vodca correndo no organismo de todas as pessoas, a verdade saíria mais rápida ainda. Então, todos ficaram em forma de círculo, com a garrafa de vodca vazia girando ao meio.
O jogo foi começando, a turma começando a se animar nas perguntas. Eu já tinha caído para perguntar algumas vezes, e tive que responder algumas verdades que não me importavam tanto assim. Mas fora isso nada que surpreendesse. Isso até a hora de Maísa perguntar à Andréas a temida frase "verdade ou desafio?". Depois dele responder verdade, todos estavam curiosos para saber sobre qual seria o assunto. A surpresa foi que EU seria o assunto.
Ela disse: "Ah, já sei! Diga-me o que acha da Mônica. E você a beijaria?" Como assim, do nada, ela falava sobre mim? Fiquei nervosa, principalmente pelo tipo de pergunta. Paralisei, e olhei para ele como se tivesse encarando aquilo como "somente um jogo", sem deixar transparecer meu nervosismo. A resposta foi o que me surpreendeu ainda mais. Depois de um tempo sem saber o que dizer - afinal, a pergunta surpreendera à todos, ele disse: "É, eu a acho linda e com toda certeza ficaria com ela". Com toda a certeza? Definitivamente aquelas palavras me pegaram de surpresa. Não consegui esconder o que sentia, e minha pele clara logo se avermelhou de vergonha. Mas notei que eu não era a única, Andréas também havia ficado rosado. Seria de vergonha também?
Logo várias outras perguntas foram feitas, mas confesso que meus pensamentos continuavam naquela resposta: "Com toda certeza ficaria com ela". Como uma pessoa pode ter tanta certeza num momento desprevinido? À partir de agora, aqueles olhos azuis distantes começavam a chamar a minha atenção.
3- A festa
Logo após minhas duas horas de aula de piano e de mais uma hora me arrumar, fui para festa sozinha na esperança de que minhas duas melhores amigas já estivessem lá. Chegando lá, fiquei pasma com o tamanho da casa e com o tanto de pessoas que estavam dentro e fora dela. Uma casa nobre, enorme, que eu não conseguia contar quantos cômodos tinha. A música rolava solta, todos já animados, provavelmente, pelas bebidas. Após entrar e ver que Maísa estavam no bar, não controlei meu riso de felicidade de não ficar perdida no meio de todos. Eu realmente esperava algo daquela noite, eu só não sabia o que seria.
Depois de um tempo de danças, conversas e drinks, ouvi atentamente a primeira - e acho que única - música romântica da festa. Foi quando percebi que era a trilha sonora de um dos meus muitos filmes românticos prediletos, "She will be loved". Me lembrava bem daquela música, sem ela, o filme não teria o sabor certo. É como se, sem ela, o filme fosse apenas um bolo de chocolate branco, mas que não seria a mesma coisa sem os deliciosos morangos.
Observei a todos no momento da música, de como todos estavam revoltados porque a música eletrônica havia sido cortada por uma melodia tão "inapropriada" para o momento. Maísa e Sofia, que estavam dançando, tentaram fazer o Dj voltar para a música anterior, Lucas continuou dançando como se a música não tivesse mudado e continuou na mesma empolgação, descordenado com o ritmo da nova música, e logo vi Renato e Andreas no outro canto, perto da piscina conversando. Acho que nunca falei deles aqui. Conheço Renato desde pequena também, sempre estudamos juntos, mesmo assim nunca tivemos um relacionamento profundo de amizade. Ele era loiro com cabelos meio ondulados, olhos castanhos, alto e sempre muito simpático. Apesar de não conversarmos muito, sempre percebi que ele era o mais decidido dos meninos da minha sala. Já sobre Andreas, eu não sabia muito o que falar.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
2- Química e Biologia
Logo após o término da aula, nós meninas, nos reunimos como de costume. Falávamos todo aqueles assuntos que meninas conversam quando estão juntas: a próxima festa ou então comentários sobre como a festa anterior havia sido "demais", roupas, de como odiávamos ser dependentes, meninos.. Ah meninos! Eu nunca gostei muito quando esse assunto vinha à tona pois eu era a única que não tinha uma atração, nem sequer dava umas paqueradinhas em ninguém. Mas dessa vez foi diferente, pois Maísa disse que eu não precisaria me preocupar, pois achava que havia algum menino interessado em mim. Comecei a rir quando ela me disse isso e retruquei: "Porque você não para de tentar arrumar um namorado para mim e arranja um para você?" Posso ter sido meio grossa com ela, mas ela sabe que eu odeio que tomem decisões ou que façam algo que mude minha vida sem antes me consultar, principalmente se o assunto fosse garotos. Apesar de minha grosseria, Maísa não se ofendeu e ainda falou: "Isso foi porque você não viu os garotos conversando hoje na aula de química te olhando, e você sabe, quando eles conversam em grupo, assim como nós, têm coisa."
Não me importei muito com as palavras dela, afinal, meninos não se reuniam somente para falar de garotas. E também, porque tinha que ser bem à mim? A adolescente que menos gosta de se envolver da sala? Com certeza ela estava enganada. Depois de tirar esses bobos pensamentos de minha cabeça, fiquei o resto do dia com minhas preocupações no máximo em como fazer Maísa parar de falar de como sua festa de aniversário no dia anterior tinha sido a melhor de todas as festas.
Nesse meio tempo, Lucas veio falar conosco. Lucas era moreno, tinhas olhos lindos, verdes, mas não era muito alto. Ele estava vindo nos convidar para mais uma festa que seria hoje mesmo, mas na casa dele. Eu não confirmei presença, mas Sofia confirmou por todas as garotas com seu jeito apressado e ansioso.
Pra falar a verdade, sempre fui de sair muito nas festas de amigos, colegas.. Mas acho que preferiria sempre assistir um bom e romântico filme em vez disso. Lucas disse que a festa iria "bombar" e que não nos arrependeríamos de ir. Resolvi pagar para ver então.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
1 - Estilo Mônica Prado
Eram 4:35 da tarde, e eu como sempre atrasada, não conseguia nem pensar em festa alguma. Só pensava em assistir o filme que passava na televisão. Não tinha como não me apaixonar por aquele espetáculo de tristeza e obstáculos para um grande amor, afinal, era o que eu queria: ter um grande amor, mesmo que eu precisasse de todas aquelas cenas de filme para conseguir chegar até ele. Ok, todos sabem que cenas de filme não acontecem na realidade, mas no fundo, todos têm um pouco de esperança. Assim como eu. Voltando para a realidade, olhei para o relógio ao lado da televisão e já haviam se passado mais de 39 minutos, então eu já estava atrasada à 19 deles. Minha mãe, a vaidosa Helena Prado, havia marcado no salão de beleza um horário às 5:00 da tarde com o pacote completo. Disse que desejava me ver arrumada, coisa que eu não costumo e não gosto de fazer muito. Enfim, nunca gostei de desagradá-la, ela sempre foi uma ótima amiga além de mãe pra mim, e mesmo assim acho que meu cabelo desarrumado não combinaria com o vestido lindo e brilhante demais que ela comprou pra eu ir na festa de aniversário de Maísa. Aliás, Maísa é a minha amiga de infância, pois estudamos juntas desde que nos entendemos por gente.
Mesmo estando atrasada, não fico nem um pouco agitada. Ao contrário de minha mãe, que quando dei por mim, gritava lá da cozinha: “Mônica Prado, que horas a senhorita pensa que é?”. É não gosto quando minha mãe é mais mãe autoritária do que minha amiga, mas infelizmente ela tem que fazer esse papel.
Depois de quase 2 horas de vaidade, às 7:00 eu cheguei em casa, já pronta para usar meu vestido brilhante e parecer uma “princesinha”. Falas da senhora Helena, que, mesmo sabendo que eu já tenho 17 anos completos, insiste em dizer que nunca vou crescer para ela. Acho que toda mãe é assim.Mas se um dia eu for ter um filho ou filha, espero ser uma mãe diferente.
A festa foi animada. Música, dança, adolescentes, presentes, comida e o principal: o bolo! Sempre fui apaixonada por bolo de chocolate branco com morango, e pra minha sorte o da festa era exatamente do meu sabor preferido. Acho que ganhei a festa só por isso. Não que a festa não estava boa, eu acho que sou eu a diferente de todas mesmo. O dia não estava pra dançar. E não foi por falta de insistência, pois Sofia, minha “segunda” melhor amiga, tentava me puxar para a pista de dança toda hora. Digo segunda, pois Maísa prefere assim, diz isso só porque nos conhecemos há mais tempo do que conhecemos Sofia. Isso para mim não faz diferença, mas prefiro não contrariá-la.