quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

8- Inesperado

Postado por Vanessa Paganotti às 09:49
Acordei às 9h com um delicioso café da manhã que meu pai havia pedido no hotel. Enquanto comia, lembrava dos meus últimos pensamentos antes de adormecer. Era realmente uma bobagem. "Porque eu estou me importando? É só um garoto. Como todos os outros." - pensei antes que minha cabeça voltasse a girar. Afinal, eu teria um longo dia pela frente, longo e feliz, eu esperava. A viagem estava me animando muito apesar de não saber pra onde iria e também
esperava que o prazo de viagem se prolongasse até segunda para perder mais um dia de aula e evitar o constrangimento das pessoas me perguntando sobre Andréas. Fui até o quarto arrumar algumas coisas que desarrumara antes de dormir, e após isto, estaria pronta para o tão esperado passeio.

Era 12h36 quando meu pai decidiu sair. Lembro-me do horário pois estava tão ansiosa que olhava para o relógio a cada 5 minutos. Iríamos almoçar em algum lugar e pegaríamos a estrada! - termo que eu adorava usar com meu pai; quando pronunciava, ele sempre dava ênfase à frase.
Após o rápido almoço, estavamos pronto para ir. Papai decidiu sair da cidade pela antiga avenida, afinal, não queríamos trânsito algum atrapalhando nossa diversão e as típicas cantorias. Ao chegarmos na tal avenida - que por sinal eu ainda não conhecia, apesar de morar desde meu nascimento na cidade - não demos tanta sorte. Parece que muitas pessoas resolveram ir lá naquela tarde. Mas pra quê? As pessoas estavam a pé, e circulavam como se a rua não estivesse lá. Papai buzinou várias vezes, mais eram todos jovens, e não saiam da rua de jeito nenhum. A minha impressão era de quê esperavam algo... Mas eu não tinha idéia do que era. Num instante, e do nada, me lembro do arrepio que sentira na noite anterior. Mas esperava que fosse um arrepio sem fundamentos.
O carro estava parado no meio da rua, esperando a boa vontade daqueles jovens eufóricos para podermos passar. Agora eu estava ouvindo um zumbido, um barulho estranho, talvez de um carro. Aumentava cada vez mais, mas ainda estava longe. Meu pai ainda distraindo com a bagunça dos adolescentes não estava ouvindo. Eu ainda estava confusa, daonde está vindo esse barulho? Estava chegando perto, muito perto. Foi quando ouvi um ronco mais forte que me fez olhar para trás. Havia dois carros vindo, e um exatamente em nossa direção. Minhas palavras não saiam, meu pai estava tão irritado que não conseguia pensar em nada. E por incrível que pareça, naquele momento a única coisa que notei foi o rádio ligado. E pela coincidência, uma incrível e inesperada coincidência, minha música estava tocando. Vi o carro em nossa direção, e depois a música parou, tudo era silêncio. E eu? Bom, eu já não via mais nada.

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