domingo, 29 de novembro de 2009

6- Acontecimento da semana

Postado por Vanessa Paganotti às 05:55
Eram 10 hr da manhã em ponto, e a ansiedade de minha mãe já estava começando a me deixar nervosa. Tudo bem que ela estava com medo, pois seria a primeira vez que veria meu pai depois da separação, mas contar os minutos já estava começando a ser exagero. Por sorte, meu pai não foi tardio e chegou exatamente às 10:05. Ao ouvir o barulho de seu carro não consegui segurar o sorriso, eu realmente estava com muitas saudades dele. Já a senhora Helena, ao ouvi-lo, sentou-se no sofá e pegou uma revista como se não estivesse interessada na chegada dele.
Com o coração batendo mais rápido, nem esperei ele apertar a campainha. Saí correndo na mesma direção que ele se encontrava e dei-lhe um super abraço. Meu pai sempre foi uma figura forte pra mim: cabelo escuro e olhos castanhos, e era alto, de um jeito que podia me envolver inteira em um pequeno abraço. "Espero que não esteja magoada comigo por ter demorado tanto, mas você sabe, eu estava trabalhando demais.. eu sinto muito mesmo!" disse ele ao meu ouvido. E respondendo, eu disse: "Eu não me importo com isso, o que realmente importa é que agora você está aqui! Venha, entre!"
Após a entrada em casa, o olhar de meu pai cruzou o de minha mãe. Não sei bem como definir aquele olhar, talvez nele tinha um pouco de saudade, mas também havia orgulho para não transparecê-la. O "oi" foi bem seco, o que não me deixou nada a vontade. Chamei-o para ver a decoração nova do meu quarto - que agora estava lilás - como um pretexto para desfazer aquele mal estar. Conversamos sobre tudo: escola, amigos, namorados - que não existiam -, trabalho, viagem... e foi nesse assunto que eu mais me interessei. Meu pai estava lá para me convidar para passar o fim de semana com ele, mas o destino nem ele sabia ao certo. Eu adorei a idéia, afinal, eu e meu pai tínhamos uma afinidade muito grande. Logo depois de aceitar o convite, ele disse que desceria para pedir a minha mãe mas que já era para eu ir arrumando as malas para passar uns 3 dias fora da cidade.
Enquanto separava algumas roupas para a viagem ouvi meu celular tocar. Era Sofia. "Alô Mônica? Você está bem?". A voz de Sofia era tão suave que me passava um certo conforto. "Porque você não foi à escola hoje? Você perdeu a prova de matemática!". Expliquei o porque com a felicidade transbordando por falar de meu pai. "Ahn, que bom que não aconteceu nada de grave.. Mas você também perdeu o acontecimento da semana! E acredite ou não, tudo o que aconteceu, o motivo foi você." Motivo? Acontecimento da semana? Tudo bem que eu não gosto - e nunca gostei - de ir para a escola, mas eu tinha que faltar bem naquele dia? Perguntei o que havia acontecido, mesmo com medo da resposta. "Nando provocou Andréas depois da prova, lá no pátio. Insinuou que você não tinha ido a aula hoje para evitá-lo ou ainda que tinha ficado com algum garoto na festa... e então, Andréas lhe deu um soco!" Eu até esperava essas atitude de Fernando, ou "Nando" como todos o chamam, pois ele sempre foi o encrenqueiro da turma, aliás, acho que é por isso que nunca falei dele aqui. Nossos gênios nunca foram muito parecidos. Mas a atitude de Andréas? O misterioso Andréas? Ele realmente estava me surpreendendo muito durante as últimas horas. Ela continuou: "Os dois levaram suspensão da escola por alguns dias, e todos estão surpresos com a atitude de Andréas. Estranho né?" Estranho? Aquilo já era mais que estranho. Era exagero para defender alguém que ele nem ao menos conhece direito. Fiquei meio paralisada, não sabia o que falar. Acho que minha mãe se encontrava no mesmo estado que eu lá em baixo, na sala, conversando com meu pai."Mônica? Você ainda está aí?", por um segundo havia esquecido Sofia do outro lado da linha. "Estou sim, muito surpresa também! Mas ele não devia estar muito bem, só pode ser isso. Enfim, irei viajar com meu pai esse final de semana, nossas compras poderão ficar para semana que vem?" Após ela concordar e me desejar uma boa viagem, desliguei o celular.
Andréas me surpreendia cada vez mais, mas agora, eu só queria me concentrar em meu pai e na nossa viagem.

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