Acordei às 9h com um delicioso café da manhã que meu pai havia pedido no hotel. Enquanto comia, lembrava dos meus últimos pensamentos antes de adormecer. Era realmente uma bobagem. "Porque eu estou me importando? É só um garoto. Como todos os outros." - pensei antes que minha cabeça voltasse a girar. Afinal, eu teria um longo dia pela frente, longo e feliz, eu esperava. A viagem estava me animando muito apesar de não saber pra onde iria e também
esperava que o prazo de viagem se prolongasse até segunda para perder mais um dia de aula e evitar o constrangimento das pessoas me perguntando sobre Andréas. Fui até o quarto arrumar algumas coisas que desarrumara antes de dormir, e após isto, estaria pronta para o tão esperado passeio.
Era 12h36 quando meu pai decidiu sair. Lembro-me do horário pois estava tão ansiosa que olhava para o relógio a cada 5 minutos. Iríamos almoçar em algum lugar e pegaríamos a estrada! - termo que eu adorava usar com meu pai; quando pronunciava, ele sempre dava ênfase à frase.
Após o rápido almoço, estavamos pronto para ir. Papai decidiu sair da cidade pela antiga avenida, afinal, não queríamos trânsito algum atrapalhando nossa diversão e as típicas cantorias. Ao chegarmos na tal avenida - que por sinal eu ainda não conhecia, apesar de morar desde meu nascimento na cidade - não demos tanta sorte. Parece que muitas pessoas resolveram ir lá naquela tarde. Mas pra quê? As pessoas estavam a pé, e circulavam como se a rua não estivesse lá. Papai buzinou várias vezes, mais eram todos jovens, e não saiam da rua de jeito nenhum. A minha impressão era de quê esperavam algo... Mas eu não tinha idéia do que era. Num instante, e do nada, me lembro do arrepio que sentira na noite anterior. Mas esperava que fosse um arrepio sem fundamentos.
O carro estava parado no meio da rua, esperando a boa vontade daqueles jovens eufóricos para podermos passar. Agora eu estava ouvindo um zumbido, um barulho estranho, talvez de um carro. Aumentava cada vez mais, mas ainda estava longe. Meu pai ainda distraindo com a bagunça dos adolescentes não estava ouvindo. Eu ainda estava confusa, daonde está vindo esse barulho? Estava chegando perto, muito perto. Foi quando ouvi um ronco mais forte que me fez olhar para trás. Havia dois carros vindo, e um exatamente em nossa direção. Minhas palavras não saiam, meu pai estava tão irritado que não conseguia pensar em nada. E por incrível que pareça, naquele momento a única coisa que notei foi o rádio ligado. E pela coincidência, uma incrível e inesperada coincidência, minha música estava tocando. Vi o carro em nossa direção, e depois a música parou, tudo era silêncio. E eu? Bom, eu já não via mais nada.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
7- Pensamentos
Como meu pai não havia decidido ainda para onde iríamos, passamos o resto da sexta-feira juntos na cidade mesmo. Levamos minhas malas para o hotel onde ele havia se hospedado para evitarmos voltar em casa e ter mais mal estar entre ele e mamãe. Durante a tarde fomos ao cinema, e também ao parque da cidade. E a noite pedimos uma pizza e ficamos no hotel. Era tão divertido e diferente estar com meu pai que eu me sentia inovada, saindo da rotina da minha vida. Após a pizza terminar e os assuntos também, resolvemos ir dormir porque teríamos um longo dia de viagem no sábado que estava por vir. Meu pai já havia decidido aquela tarde para onde iríamos e disse que eu adoraria, mas que seria surpresa e só descobriria quando chegasse lá. Depois de um "Boa noite!" animado e um beijo estalado na bochecha do Sr. Mário, fui para o quarto me recolher.
Pensamentos vieram a tona e um arrepio de repente subiu pela minha espinha. Um pressentimento? Pressentimento do que? De repente lembrei da preocupação óbvia de Sofia na ligação que fora feita pela manhã "Alô Mônica? Você está bem?". Óbvia porque, em modéstia parte, eu nunca tive motivo suficiente pra faltar em qualquer prova, nunca gostei de fazê-la após a data marcada. Depois da breve passagem da preocupação de Sofia, me lembrei do que havia me dito depois. Andréas. Porque eu nunca havia parado para pensar nele antes? Aposto que ele tem bem mais que um rostinho bonito. Aposto ainda que eu ainda ia descobrir o que era. Sempre fui muito boa nisso: descobrir o que ninguém sabe. Já descobri coisas sobre meus familiares, amigas de escola, que ninguém mais sabia. As vezes por coincidência, assumo. Mas na maioria das vezes, acho que foi pelo meu faro investigativo - que na nossa língua se chama curiosidade.
Fiquei ali, horas e horas deitada, e pela primeira vez, adormeci pensando em Andréas.
Pensando em como ele poderia fazer diferença em minha vida, já que parecia, que de alguma forma, eu já fazia diferença na dele. Não sei como, e nem quando surgiu isso. Ou eu estava somente delirando? Eu fazia diferença pra ele? Fazia né? Se não, ele não teria falado aquilo na festa. Não teria dado um soco em Nando e levado suspensão por uma simples palavra provocativa.. Pensando em tudo isso, percebi que eu estava começando a me importar demais com Andréas e que, fazendo isso, ele já estava entrando em minha vida de alguma forma. Mas eu quero isso? Eu quero que alguém entre em minha vida? Eu realmente não tinha certeza da resposta. Acho que foi bem no momento que tentava achar a resposta que eu adormeci.
Pensamentos vieram a tona e um arrepio de repente subiu pela minha espinha. Um pressentimento? Pressentimento do que? De repente lembrei da preocupação óbvia de Sofia na ligação que fora feita pela manhã "Alô Mônica? Você está bem?". Óbvia porque, em modéstia parte, eu nunca tive motivo suficiente pra faltar em qualquer prova, nunca gostei de fazê-la após a data marcada. Depois da breve passagem da preocupação de Sofia, me lembrei do que havia me dito depois. Andréas. Porque eu nunca havia parado para pensar nele antes? Aposto que ele tem bem mais que um rostinho bonito. Aposto ainda que eu ainda ia descobrir o que era. Sempre fui muito boa nisso: descobrir o que ninguém sabe. Já descobri coisas sobre meus familiares, amigas de escola, que ninguém mais sabia. As vezes por coincidência, assumo. Mas na maioria das vezes, acho que foi pelo meu faro investigativo - que na nossa língua se chama curiosidade.
Fiquei ali, horas e horas deitada, e pela primeira vez, adormeci pensando em Andréas.
Pensando em como ele poderia fazer diferença em minha vida, já que parecia, que de alguma forma, eu já fazia diferença na dele. Não sei como, e nem quando surgiu isso. Ou eu estava somente delirando? Eu fazia diferença pra ele? Fazia né? Se não, ele não teria falado aquilo na festa. Não teria dado um soco em Nando e levado suspensão por uma simples palavra provocativa.. Pensando em tudo isso, percebi que eu estava começando a me importar demais com Andréas e que, fazendo isso, ele já estava entrando em minha vida de alguma forma. Mas eu quero isso? Eu quero que alguém entre em minha vida? Eu realmente não tinha certeza da resposta. Acho que foi bem no momento que tentava achar a resposta que eu adormeci.
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