Tudo que eu queria era que aquela festa fosse melhor que a do dia anterior. E de certa forma, iria ser, pois seria só entre amigos. Como eu teria aula de piano à tarde, teria que ir sozinha à festa, e não com Sofia e Maísa que iriam juntas. Era rotina para mim já. Às quintas eu sempre tinha aula de piano, desde os 10 anos. Acho que minha mãe queria que eu tivesse algum talento. Aos 7 ela tentou me colocar no ballet, mas eu era totalmente desengonçada. Aos 9, tive uma tentativa frustada de lutar karatê. E finalmente aos 10, acho que ela achou algo em que eu acertava e conseguia me dar bem. Sempre gostei de tocar piano. Como sempre fui uma romântica-sentimental oculta, a melodia suave das notas do piano sempre me tranquilizaram.
Logo após minhas duas horas de aula de piano e de mais uma hora me arrumar, fui para festa sozinha na esperança de que minhas duas melhores amigas já estivessem lá. Chegando lá, fiquei pasma com o tamanho da casa e com o tanto de pessoas que estavam dentro e fora dela. Uma casa nobre, enorme, que eu não conseguia contar quantos cômodos tinha. A música rolava solta, todos já animados, provavelmente, pelas bebidas. Após entrar e ver que Maísa estavam no bar, não controlei meu riso de felicidade de não ficar perdida no meio de todos. Eu realmente esperava algo daquela noite, eu só não sabia o que seria.
Depois de um tempo de danças, conversas e drinks, ouvi atentamente a primeira - e acho que única - música romântica da festa. Foi quando percebi que era a trilha sonora de um dos meus muitos filmes românticos prediletos, "She will be loved". Me lembrava bem daquela música, sem ela, o filme não teria o sabor certo. É como se, sem ela, o filme fosse apenas um bolo de chocolate branco, mas que não seria a mesma coisa sem os deliciosos morangos.
Observei a todos no momento da música, de como todos estavam revoltados porque a música eletrônica havia sido cortada por uma melodia tão "inapropriada" para o momento. Maísa e Sofia, que estavam dançando, tentaram fazer o Dj voltar para a música anterior, Lucas continuou dançando como se a música não tivesse mudado e continuou na mesma empolgação, descordenado com o ritmo da nova música, e logo vi Renato e Andreas no outro canto, perto da piscina conversando. Acho que nunca falei deles aqui. Conheço Renato desde pequena também, sempre estudamos juntos, mesmo assim nunca tivemos um relacionamento profundo de amizade. Ele era loiro com cabelos meio ondulados, olhos castanhos, alto e sempre muito simpático. Apesar de não conversarmos muito, sempre percebi que ele era o mais decidido dos meninos da minha sala. Já sobre Andreas, eu não sabia muito o que falar.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
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