quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

7- Pensamentos

Postado por Vanessa Paganotti às 14:38
Como meu pai não havia decidido ainda para onde iríamos, passamos o resto da sexta-feira juntos na cidade mesmo. Levamos minhas malas para o hotel onde ele havia se hospedado para evitarmos voltar em casa e ter mais mal estar entre ele e mamãe. Durante a tarde fomos ao cinema, e também ao parque da cidade. E a noite pedimos uma pizza e ficamos no hotel. Era tão divertido e diferente estar com meu pai que eu me sentia inovada, saindo da rotina da minha vida. Após a pizza terminar e os assuntos também, resolvemos ir dormir porque teríamos um longo dia de viagem no sábado que estava por vir. Meu pai já havia decidido aquela tarde para onde iríamos e disse que eu adoraria, mas que seria surpresa e só descobriria quando chegasse lá. Depois de um "Boa noite!" animado e um beijo estalado na bochecha do Sr. Mário, fui para o quarto me recolher.
Pensamentos vieram a tona e um arrepio de repente subiu pela minha espinha. Um pressentimento? Pressentimento do que? De repente lembrei da preocupação óbvia de Sofia na ligação que fora feita pela manhã "Alô Mônica? Você está bem?". Óbvia porque, em modéstia parte, eu nunca tive motivo suficiente pra faltar em qualquer prova, nunca gostei de fazê-la após a data marcada. Depois da breve passagem da preocupação de Sofia, me lembrei do que havia me dito depois. Andréas. Porque eu nunca havia parado para pensar nele antes? Aposto que ele tem bem mais que um rostinho bonito. Aposto ainda que eu ainda ia descobrir o que era. Sempre fui muito boa nisso: descobrir o que ninguém sabe. Já descobri coisas sobre meus familiares, amigas de escola, que ninguém mais sabia. As vezes por coincidência, assumo. Mas na maioria das vezes, acho que foi pelo meu faro investigativo - que na nossa língua se chama curiosidade.
Fiquei ali, horas e horas deitada, e pela primeira vez, adormeci pensando em Andréas.
Pensando em como ele poderia fazer diferença em minha vida, já que parecia, que de alguma forma, eu já fazia diferença na dele. Não sei como, e nem quando surgiu isso. Ou eu estava somente delirando? Eu fazia diferença pra ele? Fazia né? Se não, ele não teria falado aquilo na festa. Não teria dado um soco em Nando e levado suspensão por uma simples palavra provocativa.. Pensando em tudo isso, percebi que eu estava começando a me importar demais com Andréas e que, fazendo isso, ele já estava entrando em minha vida de alguma forma. Mas eu quero isso? Eu quero que alguém entre em minha vida? Eu realmente não tinha certeza da resposta. Acho que foi bem no momento que tentava achar a resposta que eu adormeci.

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