O silêncio e a escuridão predominaram por pouco tempo. Depois, acho que comecei a delirar, mas era um delírio tão bom que eu tentei aproveitar ao máximo. Eu via meus amigos, talvez em um rio. Todos se divertindo na água, menos eu. Eu estava na grama, deitada e olhando para o céu. Como eu não havia percebido que em dias de sol o céu é tão lindo? Acho que nunca tinha prestado atenção nisso.
Ouvi meus amigos me chamando pra ir até a água, e antes de negar, percebi que o meu preferido não estava ali. É, acho que comecei a assumir que tinha uma preferência por Andréas depois de tanto tempo pensando nele.Foi quando olhei pra trás, e lá estava ele. Estava sentado embaixo de uma árvore. Olhava para o céu também, ele parecia distante, tão distante que não percebeu que eu olhava, indiscretamente, pra ele. Enquanto eu olhava, ele fechou os olhos e logo sorriu. Tentei adivinhar no que ele estaria pensando, mas Andréas ainda era indecifrável para mim. Após abrir os olhos e perceber que eu o estava olhando, ele se levantou e veio até minha direção. Sentou ao meu lado, e logo estávamos deitados na grama. Não falamos nada, e também não precisávamos, só nós sabíamos o quanto era bom aquele momento.
Foi quando senti algo em minha mão, não, eu não estava mais delirando. Meus amigos foram pouco a pouco desaparecendo da minha mente, e a imagem do céu azul foi embaçando, até ficar escura e eu abrir meus olhos. Me assustei quando me vi deitada numa cama estranha e com o Andréas ao meu lado, com os olhos cheio de lágrimas.
“Andréas? O que faz aqui? Onde estou? O que aconteceu?” Foi a única coisa que consegui falar no espanto. Senti um pouco de dor na cabeça e entendi o porque de tantos curativos. Andréas me respondeu calmamente que eu havia sofrido um acidente de carro, mas que meu pai já estava bem. Fiquei aliviada, e sorri.
Meu pai entrou no quarto nessa hora, mancando pelos ferimentos, mais eu sabia que ele estava bem. Começou a me paparicar e disse que minha mãe logo chegaria, disse que Sofia esteve aqui mas que já tinha ido. Foi quando notei que Andréas não estava mais no quarto. Isso me entristeceu. Meu pai sentou-se e me falou para dormir novamente e eu estava mesmo cansada. Fechei os olhos tentando me lembrar do que havia acontecido, mas minha cabeça girava e eu não podia pensar em mais nada.
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